A Revolução Tecnológica na Educação: Desafios e Novas Perspectivas
Vivemos em uma era de profundas transformações tecnológicas que afetam diretamente todas as profissões, e a docência não fica de fora desse movimento. O artigo de Novais e Zan (2025) analisa como a Inteligência Artificial (IA) está impactando a educação, trazendo desafios e mudanças significativas. O estudo levanta questões como a substituição parcial dos professores pela IA, o aumento do desemprego estrutural na área e a necessidade urgente de ressignificar o papel docente diante dessa nova realidade.
"À medida que o capitalismo avança com a inserção massiva de tecnologias, também cresce o controle sobre o trabalho dos professores, gerando precarização e novas demandas na formação e atuação desses profissionais" (Novais & Zan, 2025).
O Uso de Telas na Educação e a Nova Legislação
Além das mudanças tecnológicas, a educação enfrenta desafios relacionados ao uso excessivo de telas por crianças e adolescentes. A recente Lei nº 15.100/2025, criada para proteger a saúde mental e física dos alunos, impõe restrições ao uso de aparelhos eletrônicos na educação básica. De acordo com a norma, os dispositivos devem permanecer desligados e guardados durante as aulas e intervalos, com exceções apenas para fins pedagógicos, acessibilidade e necessidades de saúde.
Para regulamentar essa lei no Mato Grosso do Sul, a Resolução SED nº 4.388/2025 estabelece medidas disciplinares para o descumprimento e incentiva ações educativas sobre os riscos do uso excessivo de tecnologia.
Um Novo Olhar Sobre o Uso de Celulares nas Escolas
Confesso que ainda não tenho uma opinião totalmente formada sobre a proibição do uso de celulares em sala de aula, mas ao ingressar no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), me senti entrando no meio de uma guerra. Sempre enxerguei essa questão do lado de fora, como mãe e como aluna. Agora, ao estar na posição dos professores, percebo que lidar com seres humanos não vem com manual de instruções.
Muitas famílias estão mais preocupadas em oferecer dispositivos eletrônicos para manter as crianças entretidas do que em proporcionar um tempo de qualidade com elas. A proibição do celular na escola, por si só, não resolve o problema se não houver uma reeducação dos pais, que muitas vezes não acompanham de perto a vida escolar dos filhos. Como incentivar o estudo de uma criança quando, em casa, o exemplo dado é o contrário?
Estamos vivendo uma inversão de valores. Durante anos, ouvimos que era preciso estimular as crianças para que aprendessem melhor. Hoje, enfrentamos o efeito contrário: uma geração hiperestimulada que, ao chegar à escola, encontra um ambiente tradicional com móveis e livros que já não satisfazem suas expectativas.
E ao verem seus professores recebendo ligações e tirando atividades de eletrônicos, sentem-se indiferentes aos demais. O aprendizado deve vir pelo exemplo. A velha máxima "faça o que eu digo, não faça o que eu faço" nunca funcionou. Será que agora tem alguma possibilidade de funcionar?
A discussão está longe de um consenso, e os desafios são inúmeros. O equilíbrio entre tecnologia e educação exige estratégias bem planejadas, envolvimento da família e um olhar atento às necessidades individuais dos alunos. O que precisamos não é apenas de proibições, mas de um modelo educativo que prepare os estudantes para um futuro onde o uso consciente da tecnologia seja um aliado e não um obstáculo.
Os Riscos do Uso Excessivo de Telas
De acordo com Cruz et al. (2024):
"O uso excessivo de telas por crianças e adolescentes pode levar a impactos negativos na saúde mental, incluindo distúrbios do sono, ansiedade, depressão, ideação suicida, variações no humor e dificuldades nas interações sociais" (ResearchGate).
A pesquisa TIC KIDS ONLINE BRASIL 2019 revelou que 89% das crianças e adolescentes brasileiros de 9 a 17 anos usavam a internet, com 95% acessando via celular. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou o documento #MenosTelas#MaisSaúde para orientar pais sobre o uso equilibrado da tecnologia.
A médica Roberta Tanabe destaca:
"A redução de áreas de lazer e o aumento da violência urbana incentivam o uso de telas, intensificado pela pandemia. O uso excessivo pode afetar o desenvolvimento infantil, gerando sedentarismo, obesidade, distúrbios do sono, atrasos na linguagem e dificuldades de atenção."
Para minimizar esses impactos, recomenda-se:
✅ Supervisão ativa dos responsáveis;
✅ Incentivo a brincadeiras ao ar livre;
✅ Equilíbrio entre experiências digitais e reais;
✅ Estímulo à leitura para evitar a redução de habilidades cognitivas e criativas.
O exemplo dos pais e o ambiente familiar são fundamentais para estabelecer hábitos saudáveis no uso da tecnologia.
A tecnologia veio para ficar, mas seu uso consciente é essencial para garantir um desenvolvimento saudável das novas gerações. O papel da escola e da família nesse contexto é essencial para encontrar um equilíbrio entre aprendizado e bem-estar.
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