Mostrando postagens com marcador Resiliência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Resiliência. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Quando a Realidade Pesa: O Desafio de Estudar e Sobreviver

A vida tem um jeito irônico de nos testar. Imagine equilibrar estudos, trabalho e contas a pagar enquanto cuida de uma família. Parece um roteiro de filme, mas é a realidade de muitos estudantes que lutam para conquistar um futuro melhor.

Nesta semana, vivi a ansiedade de aguardar uma resposta sobre um freelancer para sexta e sábado. Entre a esperança e a incerteza, minha rotina segue dividida entre buscar conhecimento na faculdade e encontrar formas de pagar as contas no fim do mês, além de tentar economizar algo para um fundo de emergência. Como mãe, a responsabilidade só aumenta.

No fim, minha intuição estava certa: não fui chamada para o trabalho no bar. Provavelmente, não atingi a meta de vendas. E assim, recomeça a busca por um novo freelancer para garantir o básico. Estudar em um curso integral é um desafio gigantesco. Dependemos de bolsas e trabalhos noturnos que, inevitavelmente, comprometem nossa vida acadêmica. A neurociência reforça a importância do descanso, da alimentação equilibrada e do bem-estar emocional para um aprendizado eficaz, mas a realidade de quem não tem estabilidade financeira é outra. O cenário não é viver, é sobreviver. E, muitas vezes, sinto que o governo pouco se importa.

A Luta Começou Cedo

Essa batalha não é de hoje. Desde os 8 anos de idade, precisei trabalhar. Naquela época, a fiscalização do trabalho infantil era ineficaz e, se eu não trabalhasse, também não estudaria. As aulas na escola e a merenda eram gratuitas, mas livros, uniformes, cadernos, lápis e outros materiais precisavam ser comprados. Minha mãe, empregada doméstica, recebia menos de meio salário mínimo, enquanto a inflação ditava nossa realidade. Morávamos no interior, e, por ser analfabeta, minha mãe aceitava trabalhos mal pagos com a justificativa de que nos ofereciam comida. Era uma sobrevivência precária. Saíamos de casa às 6h da manhã e voltávamos depois das 20h. O cansaço era tanto que me lembro de dormir em pé e acordar ao me chocar contra um poste ou cair de um banco onde tentava descansar por alguns minutos.

Apesar das dificuldades, sempre acreditei que o conhecimento era a chave para mudar de vida. Nos meus momentos de folga, corria até a biblioteca da escola em busca de algum milagre que pudesse transformar aquela realidade precária. Hoje, aos 46 anos, cursando o terceiro período de Psicologia, compreendo que a única "ajuda" que aquelas pessoas deram à minha mãe foi reforçar o que ela sempre me dizia: "Estude para melhorar de vida". Foi isso que me impulsionou.

A Diferença Entre Quem Pode e Quem Não Pode

Recentemente, fiz uma busca nas redes sociais pelos filhos das famílias para as quais minha mãe e eu trabalhamos. A conclusão foi clara: quem tem recursos para investir em conhecimento vê seus filhos alcançarem patamares inimagináveis. Mas eu sigo com um objetivo firme: quebrar essa bolha da pobreza e proporcionar uma realidade melhor para minhas filhas. Se tem algo que já posso celebrar, é que saí da miséria. Agora, é seguir rumo ao próximo passo!

Vivemos em um cenário onde muito se fala de inclusão e acessibilidade, mas, na prática, isso ainda está longe de ser uma realidade. A deficiência se manifesta de formas diferentes para cada indivíduo, e muitas vezes, o excesso de cansaço por ter que dar conta de múltiplas tarefas quase se assemelha a uma deficiência intelectual. Mas esse é um estudo para outro momento. O fato de nunca poder dizer que estou cansada faz com que me sinta mal por me sentir exausta nos dias de hoje. Faço acompanhamento psicológico para superar os desafios e traumas, mas ainda é difícil lidar com algumas recordações.

Se você também enfrenta desafios semelhantes, saiba que você não está sozinho. Compartilhe essa história e ajude a dar visibilidade a uma realidade que precisa ser mudada. Juntos, podemos construir um futuro melhor!


sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

A Jornada de uma Estudante aos 40: Superação e Realização

  

    Eu nasci em outubro de 1978, em uma pequena comunidade rural no interior do Espírito Santo. Cresci em uma família humilde, como a filha mais velha. Minha infância foi marcada por dificuldades, mas também por uma grande força e resiliência. Meu pai e minha mãe enfrentavam a vida com coragem, mesmo com os poucos recursos que tinham.

    Desde cedo, aprendi o valor da luta. Minha mãe, que trabalhou desde criança, fez o possível para me dar uma vida melhor. A pobreza nos levou a morar em Iúna, onde tive os primeiros contatos com a educação e compreendi o poder transformador do conhecimento.

    Aos seis anos, fui matriculada na pré-escola, onde dei meus primeiros passos em direção aos estudos. Apesar das adversidades, minha determinação em aprender nunca vacilou. A educação, para mim, era a porta para um futuro melhor.

    Minha trajetória foi cheia de altos e baixos. Precisei conciliar o trabalho na roça, como colhedora de café, com os estudos. Mais tarde, trabalhando como empregada doméstica, voltei à escola e, com muito esforço, consegui concluir o ensino fundamental e médio. Cada conquista foi um marco em minha jornada.

    A vida adulta trouxe novos desafios: casamento, filhos e a luta para equilibrar responsabilidades. Mesmo assim, nunca perdi de vista o desejo de continuar estudando. Durante a pandemia, vislumbrei a oportunidade de ingressar no curso de Farmácia, mas a dificuldade de conciliar a maternidade com o estudo presencial me fez reavaliar meus passos.

    Foi então que minha vida deu uma nova guinada. Em 2024, descobri a possibilidade de transferência voluntária para a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Meu coração se encheu de esperança ao ser aceita no curso de Psicologia, um sonho que parecia distante, mas que finalmente estava ao meu alcance.

    Hoje, estudar na UFGD é um marco de superação em minha trajetória. O acolhimento caloroso dos professores e colegas me fez enxergar que, apesar das dificuldades, há um mundo de possibilidades esperando por aqueles que acreditam e persistem. Aqui, sinto-me em casa, cercada de pessoas que me inspiram e motivam a continuar.

    Minha jornada ainda é repleta de desafios, especialmente no aspecto financeiro, mas a cada dia dou um passo em direção aos meus objetivos. A UFGD não é apenas uma universidade; é um símbolo de esperança e transformação na minha vida.

    Esse é um pequeno relato da minha vida e é igual a tantas outras histórias de superação. Espero que te ajude a superar seus desafios.


A Revolução Tecnológica na Educação: Desafios e Novas Perspectivas

A Revolução Tecnológica na Educação: Desafios e Novas Perspectivas Vivemos em uma era de profundas transformações tecnológicas que afetam di...

Você também pode gostar de ler: